Estou só, no canto esquerdo.
De lá, vejo tudo,
Os passos de corrida na calçada,
O café que arde na chaleira,
A chuva que cai tumultuosa.
Vejo de aborrecido, tudas nas pessoas,
na sua rotina,
A qual eu nao tenho nem quero fazer parte.
Penso: Como posso ser algo,
Se eles nada são ?
O Sr. Monteiro trás-me então o café,
eu agradeço gentilmente,
e ele sorri forçado,
Que se compreende tão bem,
como o meu gentil obrigado.
O café continua lá, a bulir fumo,
Que se dissipa no tabaco do ar,
Que sai das bocas das pessoas.
Tal como eu, elas também têm o café na mesa,
Cheio, Meio vazio,
o tabaco na boca, e o fumo que se dissipa.
Nao é actividade de quem espera algo de alguem,
nao, mas sim de quem vê em tudo os seus sonhos,
Todos os sonhos do Mundo, que invariavelmente,
se vão dissipando, até morrer.
Mas nao, os sonhos nao morrem, nao podem morrer.
Se os sonhos morressem, como alguem estaria vivo?
Como eu viveria se nao visse os meus sonhos na calçada, na chuva, nas pessoas ?
Bebo o meu café sozinho,
inerente à solidão de qualquer outro.
Os que nao estao sozinhos,
Sao os que acham que nao estao,
e se agarram a isso.
Mas estao, estao, e sempre vao estar.
Nao me entristece, a necessidade das pessoas é o que fazemos delas.
Nao conheço ninguem, senao o Sr.Monteiro.
Ele dá-me o que eu quero,
eu dou-lhe o que precisa.
E cinge-se a isto, a nossa relaçao.
A nossa, a de outrem, nao importa, é a de alguem, alguem a tem,
Todos a têm.
E cinge-se a isto.
Acabo o meu café, levanto-me satisfeito,
E lanço um sorriso inocente,
Alegre na mais pura natureza.
Começo a sair, sozinho, como entrei,
E sei que apenas o Sr.Monteiro,
Se vai lembrar da minha presença.
De resto, de saida, todos, durante a minha curta estadia,
me vao avaliar.
Eles sao iguais a mim, só que não o sabem.
Saio, satisfeito, para um mundo tao amplo como aquele de que sai.
Mas sao todos iguais, nada muda, nao pode mudar.
- Mood:
Happy Tears - Listening to: Drugs Dont Work
Primeiro ele nao tem rabo, segundo a canon era mal empregada
ahahaha
(kidding)
Saudei o Sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz sinal de gostar de o ver antes: mais nada.
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